ANÁLISE

ARGENTINA: MUDANÇAS NO MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO PRODUTIVO

Poucas horas depois de que o próprio Alberto Fernández pedisse a renúncia do ministro de Desenvolvimento Produtivo, Matías Kulfas, no Governo anunciaram que Daniel Scioli será quem ocupará o cargo a partir de agora.

Apesar das várias interpretações que se podem fazer do pedido de renúncia de Alberto Fernández a Matías Kulfas -um dos principais ministros da atual administração e amigo pessoal do Presidente- é evidente que a substituição não corresponde a um assunto do funcionamento da pasta, mas sim à configuração das forças políticas dentro da coalizão governante.

O QUE SIGNIFICA A CHEGADA DE SCIOLI PARA O GOVERNO DA ARGENTINA?

  1. A troca imprevista de Matías Kulfas por Daniel Scioli demonstra a fragilidade da aliança governamental e a extrema sensibilidade interna entre as diferentes correntes do governo.
  2. A saída do Ministro da produção tem duas consequências imediatas: o início de uma investigação da oposição sobre a licitação do gasoduto Néstor Kirchner e um novo ataque a Cámpora, supostamente envolvida na “canetada” da licitação.
  3. O ex-embaixador no Brasil com certeza marcará um novo ritmo para o Ministério do Desenvolvimento Produtivo, gerando um diálogo mais tranquilo e fluido com o setor empresarial. No entanto, é improvável que ele consiga levar sua tarefa adiante, já que a política pública em termos de produção está intimamente ligada às importações (insumos e produtos acabados) que dependem das escassas reservas em dólares. Dessa forma, a política de comércio exterior está atualmente subordinada ao Banco Central e não ao Ministério da Produção.
  4. El cambio también produce realineamientos internos. El Ministro de Economía, Martín Guzmán, se fortalece debido al excelente vínculo que mantiene con Daniel Scioli, mientras que la posición de Sergio Massa queda debilitada en tanto el presidente de la Cámara de Diputados procuró, infructuosamente, designar a una persona afín a él. Por último, la Vicepresidenta, Cristina Fernández de Kirchner, se empodera por ubicar a Kulfas entre “los funcionarios que no funcionan”. A mudança também produz realinhamentos internos. O ministro da Economia, Martín Guzmán, é fortalecido pelo excelente relacionamento que mantém com Daniel Scioli, enquanto a posição de Sergio Massa é enfraquecida já que o presidente da Câmara dos Deputados tentou, sem sucesso, nomear uma pessoa relacionada a ele. Finalmente, a vice-presidente, Cristina Fernández de Kirchner, ganha poder porque havia colocado Kulfas no grupo dos “funcionários que não funcionam”.

O relatório completo aqui.